Recentemente, o Google revelou detalhes sobre uma campanha
bem-sucedida de phishing direcionada a contas do Gmail
utilizadas por oficiais do governo e ativistas políticos. Apesar da
grande cobertura deste incidente pela mídia, outras plataformas
populares de webmail também vêm sendo atacadas. Além do
Gmail, o Hotmail e o Yahoo! Mail também
foram vítimas. Os ataques parecem ter sido conduzidos
separadamente, mas há algumas semelhanças entre eles.
Estratégia 1: Realizar Ataques Direcionados
O objetivo dos atacantes parece ser
a obtenção de acesso às contas de webmail das vítimas para
monitorar suas comunicações e, possivelmente, preparar futuros
ataques. No recente caso divulgado pelo Google, os atacantes
realizaram um ataque de phishing para obter acesso à conta do
Gmail das vítimas e, em seguida, acrescentaram seus
próprios endereços de e-mail à "configuração de encaminhamento e delegação".
Dessa forma, eles puderam enviar e receber mensagens de e-mail por
meio das contas afetadas.
Estes ataques foram revelados pela
primeira vez por Mila Parkour, em fevereiro. Ela descobriu que,
além de monitorar essas contas de e-mail, os atacantes também
utilizavam um script que explorava o protocolo res:// para
listar os softwares antivírus instalados nos computadores das
vítimas. Essa informação poderia ser utilizada para organizar um
futuro ataque a fim de controlar não só as contas do
Gmail, mas também os computadores-alvo.
A Trend Micro descobriu recentemente
um malware que também utiliza o protocolo res:// para listar os
softwares instalados nos computadores afetados, preparando o
terreno para futuros ataques mais precisos. Sabendo quais softwares
estão instalados no computador-alvo, inclusive antivírus, os
atacantes podem desenvolver um ataque preciso, explorando
vulnerabilidades específicas. Tais ataques teriam uma grande
probabilidade de êxito.
Estratégia 2: Explorar Vulnerabilidades no Webmail
Além desses recentes ataques de
phishing, o Google já havia revelado que os atacantes exploravam
uma vulnerabilidade no protocolo MHTML para atingir ativistas
políticos que utilizavam os serviços do Google. Ao mesmo tempo, o
Google revelou que a mesma técnica estava sendo utilizada contra
usuários de "outro site social popular".
Apesar desse outro website não ter
sido identificado, Greg Walton observou que o ataque ao MHTML
estava sendo direcionado a usuários do Gmail e que a
mensagem original do phishing estava sendo propagada pelo
Facebook. Os alvos eram jornalistas e ativistas políticos.
Assim como os recentes ataques de phishing, os atacantes alteravam
as configurações de delegação para continuar monitorando as contas
afetadas.
Os serviços do Google não foram os
únicos alvos. Pesquisadores da Trend Micro em Taiwan revelaram um
ataque de phishing que explorava uma vulnerabilidade no serviço
Hotmail, da Microsoft. Sem a necessidade de clicar em
um link malicioso, o simples ato de visualizar a mensagem de e-mail
já poderia infectar a conta de um usuário. O e-mail do phishing
fingia ser uma mensagem da equipe de segurança do
Facebook.
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Figura 1. Tela do ataque ao
Hotmail
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Além do Gmail, usuários do Hotmail e
do Yahoo! Mail também foram alvos de ataques. Recentemente
alertamos o Yahoo! sobre uma tentativa de ataque ao Yahoo! Mail por
meio do roubo dos cookies de um usuário para obter acesso às suas
contas de e-mail. Apesar dessa tentativa aparentemente não
funcionar, foi um sinal de que os atacantes também estão alvejando
os usuários do Yahoo! Mail.
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Figura 2. Amostra da mensagem
do spam direcionado ao Yahoo! Mail
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O mesmo endereço de e-mail que
tentava atacar o Yahoo! Mail foi utilizado nos ataques direcionados que exploravam planilhas
maliciosas do Microsoft Excel em março. Isso demonstra a variedade
das formas de ataque disponíveis aos atacantes.
Tais eventos demonstram que, além de
ataques direcionados que encorajam os usuários
a abrir anexos maliciosos (geralmente arquivos .PDF ou .DOC), os
atacantes estão tentando explorar vulnerabilidades em serviços
populares de webmail, com o objetivo de controlar contas, monitorar
comunicações e obter informações úteis para futuros ataques.
Pode ser difícil se proteger destes
ataques já que eles frequentemente aparentam vir de fontes
reconhecidas. Porém, existem algumas pistas que podem ajudar a
identificar mensagens de phishing. Geralmente há erros de
ortografia ou gramática nestas mensagens, indicando que elas não
são das fontes esperadas. Para saber mais sobre os ataques
direcionados de malware, leia o post "Quão Sofisticados São os Ataques Direcionados de
Malware?".
Além disso, apesar dos links
maliciosos se identificarem como "google", "hotmail" ou "yahoo",
eles na verdade direcionam a outros websites e podem ser facilmente
conferidos. O uso de um processo de verificação em duas etapas
(oferecido pelo Google para o Gmail) também pode ajudar na
proteção contra estes ataques. Por fim, ferramentas como o Trend Micro Browser Guard, que
impedem que os navegadores executem scripts maliciosos, podem
reduzir o risco destas ameaças.
E para terminar, você pode assistir
a este divertido vídeo sobre phishing (em inglês):