HTML5 - O Que É Assustador

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 por Administrador


Este é o terceiro e último post da série sobre o HTML5. Você pode verificar os posts anteriores, HTML - O Que É Bom e HTML - O Que É Ruim.

Bem vindo à última parte da série sobre HTML5 e as questões de segurança acerca de seus recursos. Veremos aqui o que são, em nossa opinião, a questão de segurança mais assustadora trazida pelo HTML5 - BITB (Botnets In The Browser, ou Botnets No Navegador).

Com HTML5, criminosos podem criar uma botnet que funcione em qualquer sistema operacional, em qualquer local e qualquer dispositivo. Como é baseada principalmente em memória, a botnet quase não utiliza o disco, dificultando sua detecção com antivírus tradicionais baseados em arquivos. Além disso, é fácil confundir código JavaScript, então assinaturas IDS de rede também terão problemas. Por fim, como é baseado na web, facilmente passará por boa parte dos firewalls.

Estágios de um ataque botnet baseado em navegador

  • 1. Infecção: A infecção do sistema do usuário ocorre quando este é convencido a executar o JavaScript inicial. Existe uma extensa lista de meios de fazer isso, incluindo XSS, clique em links enviados por emails ou mensagens instantâneas, otimização para mecanismos de busca (SEO) blackhat, engenharia social, corrupção de sites e outros.
  • 2. Persistência: Por natureza, uma botnet baseada em navegador não será tão persistente quanto uma botnet tradicional. Assim que a vitima fecha a aba do navegador, o código malicioso será encerrado. Um criminoso deverá manter isso em mente, e as tarefas executadas pelas botnets baseadas em navegador devem ser projetadas para levar em consideração a natureza transitória dos nós de botnet. A habilidade de facilmente re-infectar sistemas é importante, portanto vetores de ataque como a utilizado de um XSS persistente e o a corrupção de sites são mais prováveis. Outra possibilidade é a combinação de clickjacking e tabnabbing. O clickjacking é utilizado para forçar a vítima a abrir outra página web com o mesmo conteúdo que a página original. Para estender a vida da aba maliciosa, o criminoso pode utilizar o tabnabbing - fazendo com que a página e aba originais se passem por páginas comumente abertas, como Google ou YouTube. Talvez uma forma ainda mais simples de persistência seja a exibição da página maliciosa como um jogo interativo. Idealmente, o jogo deve ser projetado para que o usuário mantenha a página aberta o dia inteiro, e tenha que voltar ocasionalmente para completar alguma tarefa.
  • 3. Carga: Esse ataque pode resultar em:
    • 1. Ataques DDoS: O trabalhador web pode utilizar Cross Origin Request (requisições de origem cruzada) para enviar milhares de requisições GET para um único site-alvo, resultando em negação de serviço.
    • 2. Envio de Spam: Utilizando formulários web mal configurados em páginas de contato de website, um bot pode ser usado para gerar spam.
    • 3. Geração de Bitcoin: Bitcoins são a moeda preferida para o submundo do cybercrime. Atualmente existem vários geradores de bitcoin baseados em navegador.

      bitcoingenerator1

      Figura 1. Gerador de Bitcoin baseado em navegador

    • 4. Phishing: Com técnicas de tabnabbing, um criminoso pode mudar a aparência de uma aba maliciosa cada vez que a aba perde foco. Assim, cada vez que a vítima volta à aba, ele verá a tela de login para um serviço diferente, permitindo que o criminoso roube suas credenciais.
    • 5. Reconhecimento de rede interna: Utilizando as técnicas descritas aqui, um criminoso pode realizar varreduras d vulnerabilidade e de portas na rede da vítima.
    • 6. Utilização de rede proxy: Com as mesmas técnicas utilizadas pelo Shell do Future tool (em inglês), uma rede de sistemas comprometidos pode permitir que um criminoso realize ataques proxy e conexões de rede, dificultando o rastreamento.
    • 7. Propagação: A botnet pode ser programada com um componente de worm que se propaga via ataques XSS ou injeções SQL em sites vulneráveis.

Isso representa um aumento de arsenal para os criminosos, e devemos ver mais disso no futuro - especialmente em ataques direcionados. Apesar de que defesas tradicionais contra malware não são as mais indicadas para esse novo vetor de ataques, existem duas ferramentas gratuitas que podem oferecer boa proteção:

  • 1. NoScript: O plugin de navegador NoScript é bem conhecido da indústria de segurança. Esta excelente ferramenta restringe a execução do JavaScript e outros plugins em sites não confiáveis.
  • 2. BrowserGard: O BrowserGuard da Trend Micro inclui vários recursos para bloquear ataques baseados na web, incluindo tecnologia heurística avançada.

O relatório HTML5 Overview: A look at HTML5 Attack Scenarios está disponível para download (em inglês).

5comentário(s) para “HTML5 - O Que É Assustador”

  1. Gravatar of Kameryn
    KamerynDiz:
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  2. Gravatar of cxjolbradc
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