Anteriormente, relatamos o
aparecimento de malwares baseados no vazamento do código do ZeuS,
como Ice IX e ZeuS 2.3.2.0. O uso desses códigos continua, e
desde então resultou em ataques como os que vamos comentar
aqui.
Desde a segunda quinzena de
setembro, monitoramos uma versão do ZeuS que também pode ser
baseada no código fonte vazado do ZeuS. Apesar de não haver
referência no código ao número da versão, acreditamos que foi
desenvolvido pela mesma equipe responsável pelo LICAT.
Esta nova versão, detectada pela
Trend Micro como TSPY_ZBOT.SMQH, circulou no final de setembro
em um spam que alegava vir do Escritório de Taxação Australiano
(Australian Taxation Office - ATO). A mensagem continha um link
malicioso que levava usuários a um website malicioso que servia o
BlackHole Exploit Kit. O kit de exploit,
por sua vez, baixava uma variante da nova versão do ZeuS.
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Figura 1. Mensagens
de spam alegam ter sido enviadas pelo Escritório de Taxação
Australiano
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Diferente de outras versões do ZeuS
que utilizavam HTTTP para baixar o arquivo de configuração, esta
versão abre uma porta UDP aleatória e acessa uma lista fixa de
endereços IP para baixar o arquivo de configuração.
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Figura 2.
Comunicação de rede.
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TSPY_ZMBOT.SMQH estabelece
comunicação com o servidor enviando dados criptografados que contêm
o ID do bot e uma sequência de caracteres. Cada endereço IP na
lista fixa tem uma sequência de caracteres correspondente que o
servidor aparentemente verifica para validar a comunicação.
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Figura 3. Lista de
endreços IP e portas de destino UDP correspondentes e sequência de
caracteres
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Caso algum dos endereços IP esteja
ativo, ele responderá com o arquivo de configuração criptografado
através de TCP.
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Figura 4. Sequencia
TCP mostrando a resposta quando o endereço IP está ativo.
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Decodificando o Arquivo de Configuração
Depois que o arquivo de configuração
for baixado, o TSPY_ZBOT.SMQH emprega o seguinte algoritmo de
decodificação para o arquivo de configuração:
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Figura 5. Algoritmo
de decodificação para esta variante modificada do ZeuS 2.0
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Como podemos ver, diferente do ZeuS
2.3.2.0, que utiliza criptografia AES (Advanced Encryption
Standard), o algoritmo de decodificação não mudou muito em
comparação ao ZeuS 2 modificado, que utiliza RC4.
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Figura 6. Comparação
do algoritmo de decodificação entre o ZeuS 2 e o ZeuS 2.3.2.0
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Assim como o LICAT e o ZeuS 2.3.2.0,
esta nova variante parece ter sido desenvolvida por uma gangue
profissional privada, provavelmente o mesmo grupo que criou o LICAT
- ou, no mínimo, um grupo associado a eles. De fato, o arquivo de
configuração do TSPY_ZBOT.SMQH tem o mesmo formato do arquivo de
configuração do LICAT.
As mensagens de spam são
direcionadas a usuários australianos, mas o conteúdo do arquivo de
configuração decodificado indica que ele pode ser utilizado em uma
campanha global, incluindo ataques aos Estados Unidos, Europa e
países asiáticos.
Continuaremos monitorando essa
ameaça e outras variantes que apareçam no futuro.